Mermúrio das Ondas... Confissões Internas...
Como hei-de representar por palavras tal beleza...
Como posso eu pôr uma das maiores belezas do mundo numa folha de papel...
Como posso eu desafiar tamanha grandiosidade...
Como posso eu transpor e explicar tais sentimentos...
A luz escaceia, apenas vejo o céu avermelhado, lá longe, na linha do horizonte.
Esqueço tudo o que ainda não consegui e lembro-me do muito que esqueci.
O vento começa a dar sinal da sua pureza, a mão cansada da caneta começa a gelar, o cabelo insiste em se entregar, em se deixar levar pelo vento... também ele quer ser livre.
Como seria se te insultasse? Só cá estamos nós dois...ninguém nos conhece...ninguém nos compreende...ninguém se atreve a pôr entre nós!
Respeito cada grão da tua areia, piso-a cuidadosamente, como se podesse partir.
Tento compreender a tua revolta, a tua agitação e inquietude, por vezes tento ser como tu.
Reflectes toda uma força que não tenho...um poder que não possuo...e mistérios que não vou desvendar.
Visível por toda a gente, esquecido por ninguém, mas a nossa cumplicidade ninguém a tem.
Faze-mos parte um do outro, guardas contigo os segredos do Mundo, histórias ocultas do passado.
Contigo sinto o que nunca senti, para ti vivo e existoe é contigo que a minha viagem conhecerá o fim!... Num futuro próximo ou longínquo.
Quando me quiseres basta chamares, onde quer que esteja vou-te ouvir...
Quando estiveres pronto para me receber, correrei para te abraçar...
O teu chamamento será uma ordem, não vou considerar uma derrota.
Ao olhar para ti...parece-me que tudo pareces saber, sabes como hás-de estar e como me hás-de tratar...sabes sempre do que preciso e mais uma vez te tornas no meu abrigo.
Ficas-te mais agitado...tal como eu estou devido à saudade.
A muitos metes medo, a outro impões respeito, mas a mim...sinto um doce beijo, um grande abraço e um eterno passado.
Deixei de sentir os dedos de vez, a luz à muito que deixou de existir, mas tu, aqui me prendes e eu também não te quero deixar.
Despeço-me mais uma vez...
Os dedos já não têm força e o meu coração começou a bater mais forte, exaltou-se com a tua presença.
Começo a sentir o que outrora sentie mais uma vez te digo- PARTI!
Adeus...
Ao teu chamamento vou responder e
é por ele que vou viever...
(Foi algo que escrevi sentada na praia à beira mar, na minha passagem de ano na Nazaré)
Comentários