Apenas uma História...


Hoje penso em ti de uma forma muito especial. Já passou uma semana desde a última vez que te vi, mas nunca deixei de pensar em ti nem um único momento só que fosse.
Foste-te embora sem avisares e eu senti um enorme vazio. Ainda hoje me culpo pelo que aconteceu.
Na minha opinião, fiquei em falta para contigo, se bem que, o Gonçalo partilha uma outra opinião; não sei se para me confortar ou...porque é o que realmente pensa.
Ele diz que tu apenas querias sentir o meu cheiro, e que eu não me preocupasse contigo, por isso, fizeste os possíveis para chegar à porta de casa, para que eu te visse quando chegasse.
Sabes, penso em ter outra cadela, não para te substituir, até porque penso que nunca vou encontrar outra como tu, mas para me fazer companhia quando estou sozinha, para me ajudar e vice versa, tal como foi connosco.
Apesar de tudo jamais esquecerei os teus olhos negros como a noite, mas quentes como o fogo; pareciam sorrir e brilhar quando estavas feliz, mas também pareciam chorar quando estavas triste, tinhas um olhar terno.
Vou contar-te algo que nunca te contei, talvez por achar que não era importante ou por pensar que teria imenso tempo para o fazer.
Cá vai, como sabes eu nunca acreditei em coincidências, portanto tudo o que acontece tem uma razão lógica. No dia em que nos olhamos profundamente durante alguns segundos pela primeira vez, senti algo muito estranho dentro de mim, uma sensação que nunca antes tinha sentido, como se já nos tivéssemos conhecido algures por aí. Reagiste de uma forma diferente de todos os outros, como se soubesses que te iria levar comigo, estavas calma e tranquila, mas eu não te tinha dito nada. Dei a volta ao canil para ver todos os outros cães, mas o teu olhar tinha ficado fixo na minha memória e não o esqueci. Foi então que resolvi levar-te comigo e nunca mais te deixar. Nessa altura, também conheci um cavalo- Morfeu (falei-te dele, algumas vezes), tinhas as mesmas cores, o mesmo olhar triste e meigo, ao mesmo tempo e uns olhos tão negros...
Em tudo vocês eram iguais.
Desculpa nunca te ter contado tudo isto, talvez to devesse ter dito antes.
Todas as minhas ideias, projectos futuros te incluíam, nunca te tencionei deixar para trás, queria que estivesses presente em todas as alturas da minha vida, mas tal não te foi possível.
Nunca me tinha imaginado sem ti, e tudo, sempre que possível, te incluiria a ti.
Quando tinhas medo de alguém ou de alguma coisa e te vinhas esconder atrás de mim? Pois, mas isso passou. Aprendes-te a ter confiança em ti e a não desistir tão facilmente das coisas que te assustavam, aprendes-te a continuar sem recuar, tornaste-te corajosa. Devido a tudo isso conseguis-te chegar até casa, naquele dia.
Mas eu também aprendi. Descobri que devia ter acreditado que realmente te importavas comigo e que tal como eu, nunca me abandonarias, ensinaste-me a ter confiança em ti.
Talvez, tenha aprendido parte dessa lição da pior maneira, quando partis-te. Estavas mal, mas mesmo assim voltas-te.
Agora cada vez que entro em casa, foco na memória as tuas últimas imagens, daquele dia. Saíste à porta e foste a correr por aí fora. Sempre foste muito independente, às vezes tinha medo que não precisasses de mim. Ias como sempre de cada vez que saías, corrias como se quisesses ser livre como um pássaro ou como um cavalo selvagem.
Depois a imagem de quando te encontrei, ainda estavas quente, estavas estendida em frente à porta do prédio, diria mesmo que estavas pronta para entrar.
(Hoje faz um ano que a minha outra cadela morreu, chamava-se Pampy. Escrevi isto no dia 7 de Maio de 2004)

Comentários

Anónimo disse…
eu estou aqui...

conta comigo!

beijo de sol :D

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