Monologo Universal

"Diz-me criança que brincas descalça na rua,
Onde se esconde o teu futuro?
Onde encontras as razoes da tua alegria?
Como consegues sonhar e sorrir,
Sem teres pão para te alimentar?

Diz-me tu, adolescente.
Nem és criança, nem és jovem.
Qual é afinal a razão da tua existência?
Porque negam o teu valor, a tua alegria, os teus encantos?
Porque calam o teu grito?

Diz-me, o jovem,
Onde ficou a tua coragem?
Onde mora a juventude do teu ser?
Como deixaste a ruína cair sobre ti?
Como perdeste o ânimo de viver?

Diz-me sénior, idoso do século XXI,
Porque negas a tua sabedoria?
Porque te envergonhas da tua velhice?
Não será ela significado de empenho, de trabalho, de Amor?
Como podes guardar ou calar a tua cultura, a tua historia, a tua riqueza?

Diz-me, o Mãe da Criação,
Quando termina a tua luta?
Quando serás livre para seres mulher?
O que sente o teu filho, ainda n ventre?
O que sente ao ouvir as bombas rebentar e os seus irmãos a morrer?

Diz-me, o Governador do Mundo,
Que método usas para fazer justiça?
Em que valores te baseias para dar ou tirar a vida?
Como animas as crianças, os adolescentes, os jovens, os adultos, os idosos?
Que futuro preparas para o teu povo?

Diz-me, o Super Potência,
Será a tua lei olho por olho, dente por dente?
Como podes iludir-te e não ver a decadência humana?
Será a clonagem o único meio de sobrevivência?
E onde fica o Amor, o sonho, a vida?

Diz-me, fundamentalista,
Como é possível invocar o Deus-Amor e espalhar o terrorismo?
Porventura confundes vida-respeito-dignidade
Com morte-vingança-egoísmo?
Porque te cegas com o poder, com o fanatismo?

Diz-me, ó Civilização,
Quando irás parar para reflectir?
Porque há tanta gente a sofrer?
Não vês que te estás a destruir?
Onde ficou a responsabilidade do teu povo?

Diz-me, ó Humanidade,
Onde está o livro da lei?
Por que teorias reges a tua conduta?
Foi este o Mundo que idealizas-te para ti?
Não vês que vives uma utopia, uma ilusão?

Ó humanidade, acorda!
Onde está o sorriso das crianças?
Onde se encontra a família das tuas mães?
Como deixas-te os jovens refugiarem-se na droga, no álcool e no ódio?

Ó Humanidade, por quem esperas?
Porque não transformas o Planeta e lhe devolves a paz e a dignidade?
Porque não usas a tua generosidade, amor, partilha, alegria e trabalho
para colorir o teu rosto?

Por quem esperas, ó Humanidade?
Acorda!
O Planeta espera por ti!!!"

Madalena Rubalinho

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